
O mercado de memória RAM entrou em modo “pânico” no fim de 2025. Grandes fabricantes de placas-mãe como Asus, MSI e Gigabyte estão correndo para estocar chips, enquanto distribuidores impõem vendas casadas de módulos com placas-mãe e alguns fornecedores simplesmente pararam de cotar novos pedidos.
Do lado dos chips, gigantes como a Samsung aproveitaram o cenário para reajustar contratos de DDR5 em até 60% desde setembro, puxadas pela demanda de data centers de IA. Consultorias como a TrendForce já revisaram duas vezes a previsão de alta de preços para o quarto trimestre de 2025, falando agora em 18% a 23% de aumento só neste período, com possibilidade de números ainda maiores se a pressão continuar.
Neste cenário, quem monta PC em casa, compra notebook gamer ou gerencia parque corporativo olha para 2026 com preocupação. Vamos explicar, com calma, o que está por trás desse aperto, o que é fato confirmado e como isso pode bater no bolso do brasileiro.
O que está acontecendo com a memória RAM agora
Nos bastidores da indústria, o assunto do momento é DRAM, a memória que equipa PCs, notebooks, consoles e servidores. O que era um mercado cíclico entrou em um período de escassez puxado pela demanda de IA em data centers.
Relatórios da cadeia de suprimentos indicam que marcas como Asus e MSI estão comprando grandes lotes à vista, pagando mais caro para garantir estoque até 2026. Em Taiwan, distribuidores passaram a vender RAM “casada” com placas-mãe: quem não aceita o pacote fica sem produto, um sinal de como a disputa por cada módulo ficou agressiva.
Como a IA puxou o tapete do consumidor comum
O grande motor dessa crise é o boom da IA generativa e dos serviços em nuvem. Treinar modelos grandes exige enormes quantidades de memória de alta largura de banda (HBM) e módulos de servidor como RDIMM, muito mais caros e sofisticados que a RAM de PC tradicional.
Data centers de big techs passaram a comprar praticamente todo o DDR5 e HBM de alta capacidade disponível, drenando a oferta que iria para desktops e notebooks. Isso empurrou os preços dos contratos para cima e levou os fabricantes a priorizar produtos mais lucrativos voltados a servidores.
O problema é que expandir produção de memória leva anos: novas fábricas demoram a ficar prontas e unidades antigas não migram para DDR5 ou HBM da noite para o dia. Com medo de repetir o excesso de oferta que derrubou preços entre 2019 e 2022, os fabricantes estão crescendo com cautela, e essa cautela mantém a escassez atual.
O que isso significa na prática para quem compra no Brasil
Para o brasileiro, o impacto é basicamente preço e disponibilidade. Nos próximos meses, a RAM tende a ficar mais cara, principalmente kits de 32 GB, 64 GB e acima, e isso já começa a aparecer nas tabelas de distribuidores.
Importadores também devem priorizar produtos de tíquete mais alto, como notebooks gamer, workstations e placas-mãe topo de linha com memória inclusa, em vez de kits avulsos de entrada.
Para quem planeja montar um PC novo ou fazer upgrade, isso significa:
- orçamento mais apertado, porque a memória passa a ocupar uma fatia maior do custo total do PC;
- mais dificuldade para encontrar kits específicos (frequências altas, latências baixas, módulos de 24/48 GB);
- promoções e “queimas de estoque” realmente agressivas ficando cada vez mais raras.
A boa notícia é que o efeito costuma chegar ao Brasil com algum atraso em relação a EUA e Europa, por causa dos estoques em trânsito e de contratos antigos. Quem precisa de upgrade imediato ainda tem uma janela curta para comprar antes que todos os reajustes batam nas prateleiras.
Riscos, exageros e o que ainda é incerto
Apesar do clima de “pânico”, é importante separar o que é dado concreto do que é projeção.
Está confirmado que há escassez de DRAM, que fabricantes de placas-mãe e PCs estão comprando mais do que o normal e que fornecedores como a Samsung reajustaram preços agressivamente.
O que ainda está em aberto é:
- duração do aperto: algumas fontes falam em escassez até 2027, mas isso depende de quantas linhas de produção de memória entrarão em operação e de quanto a “febre de IA” se sustenta nesse nível.
- impacto exato no consumidor doméstico: por enquanto, o grosso da dor está em data centers e grandes integradores. O consumidor comum sofre de forma indireta, via kits mais caros e PCs com preço reajustado;
- possíveis quedas abruptas lá na frente: se o mercado superestocar memória e a demanda desacelerar, podemos ver uma correção forte lá na frente, algo que já aconteceu antes na história da DRAM.
Em resumo: o cenário é ruim, mas não é apocalipse. Para quem precisa comprar hoje, o risco é pagar mais caro; para quem pode esperar, vale acompanhar gráficos de preço e notícias de novas fábricas.
Um alerta importante, não um motivo para pânico do consumidor
A crise da memória RAM é mais um sintoma da era da IA do que um “fim do mundo” para o consumidor. A prioridade da indústria hoje é alimentar data centers gigantescos; quem monta PC em casa entra na fila, pagando mais caro e com menos opções de upgrade.
Isso não significa sair comprando qualquer kit disponível. O melhor movimento agora é informação: acompanhar previsões de consultorias como a TrendForce, observar a postura de fabricantes e ficar de olho nos preços no varejo. Se a escassez se estender até 2027, é provável vermos PCs e notebooks mais caros e cortes de custo em outras áreas para compensar a memória inflacionada.




